Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

A Arca dos Segredos

Ultimamente, tenho tentado arrumar o interior de mim... e como uma dona de casa desesperada, maníaca das limpezas, tenho rebuscado até ao mais ínfimo canto do meu ser, descobrindo muitos segredos, pequenas histórias, breves momentos... Nesta minha tarefa diária, vou guardando as recordações que me fazem bem, me dão alegria, me deixam sorrir... e vou limpando as feridas deixadas por mágoas antigas, como nódoas de óleo impregnadas no fogão.

Fruto dessa introspecção, nasce a Arca dos Segredos, onde irei guardar alguns dos sentimentos, emoções, pensamentos que abalam o meu dia-a-dia e onde continuarei a dar aso à inspiração e imaginação. A Arca dos Bonés permanecerá aqui, com a fechadura aberta, revelando os devaneios nela guardados.

A todos os que têm vindo espreitar a Arca dos Bonés, um grande obrigada e... encontramo-nos na

Arca dos Segredos

Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Mais um ano passou



O tempo desliza entre os dedos da minha mão
Como a areia escorre pelo colo de uma ampulheta.
Não há neste Mundo nenhum Mágico ou Profeta
Que tenha poder para dissolver esta maldição!

Em cada maravilhosa batida do coração,
Há mais um segundo de uma vida perfeita,
Que se evapora à velocidade de um cometa...
Deixando para trás um rasto de recordação.

Tudo o que um dia foi, não voltará...
Aquilo que não foi, jamais será!
Mais um ano passou... vem um renovo!

Desejo um recomeço ou uma mudança...
Talvez um pouco de fé ou mais esperança
Num Ano melhor... um Feliz Ano Novo!

Que 2008 vos sorria!

Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

Desejos de criança


Querido Pai Natal,

Espero que o frio forte,
Que se sente no Polo Norte,
Não te traga uma constipação,
Nem te arrefeça o coração!

Este ano portei-me bem...
Obedeci ao pai e à mãe!
Brinquei com o meu irmão,
Mas nunca lhe levantei a mão!

Fiz as tarefas de casa
E os trabalhos da escola!
Por isso espero que me dês
O que te peço desta vez...

Não quero uma bicicleta,
Nem uma linda boneca!
Não me tragas uma bola...
Nem jogos de consola!

Porque o que desejo este ano
É que nenhum ser humano
Passe as noites ao frio, na rua,
Apenas com o calor da Lua!

Nenhuma criança deveria
Passar fome durante o dia!
Por isso peço para elas
Muita sopa nas panelas.

Faz com que os pais
Aos filhos não batam mais!
Àqueles que sofrem, tira a dor,
E troca-la toda por amor.

Aos pobres meninos órfãos
Encontra quem lhes dê as mãos...
E às famílias separadas
Mostra que podem ser unidas.

Àqueles que sofrem de injustiça
Devolve-lhes a esperança...
E dá um pouco de companhia
Aos que estão sós no dia-a-dia!

Traz também alguma virtude
Aqueles que têm um mal de saúde...
E a todos os queridos velhinhos
Faz com que nunca estejam sozinhos!

Ajuda todos os coitados...
Dá uma mão aos desgraçados...
Mas não te esqueças dos meus amigos
E da minha família, pois são uns queridos!

Para este ano é tudo o que peço
E por agora me despeço.
Espero que realizes o que desejo...
Deixo-te aqui... um terno beijo!

Um Próspero e Feliz Natal para todos!

Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Poesia de embalar


Lua terna e bondosa...
Fecha os olhos e vem cantar!
Deixa a noite luminosa...
E vem me embalar.

Deixa transparecer a tristeza
E alegria do teu olhar...
Mostra-me a tua beleza
Mas deixa-me sonhar.

Quando a noite chega
Fico à espera de um luz...
Só a Lua me aconchega...
Só a Lua me seduz!

Conta-me uma história...
Essa que só tu sabes contar,
Sobre o Céu e a tua Glória...
Vem, Lua minha, vem me embalar...

Não te preocupes amiga...
As estrelas não se vão apagar!
Traz-me essa tua cantiga
E faz-me sonhar!

Quando a noite chega
Fico à espera de um luz...
Só a Lua me aconchega...
Só a Lua me seduz!

Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Acaso Perfeito



Passaste por mim...
Pelo meu desalento...
Num dia cinzento,
De chuva sem fim.

De sapato castanho,
Calça de linho,
Casaco velhinho...
Eras um estranho.

Olhei para ti,
Para o verde profundo
Dos teus olhos sem fundo
Como nunca vi!

O teu cabelo molhado,
De cor de avelã,
Tinha o brilho da manhã
Num dia ensolarado.

Com um terno sorriso
Coloriste o meu dia
Com as cores da magia,
Nesse instante preciso.

O tempo deixou de escoar
Os fluxos do movimento...
A chuva e o vento
Imobilizaram-se no ar.

Senti o coração
Levemente a palpitar...
E aquele lugar
Encheu-se de emoção.

Eu era até então
Uma alma perdida,
Nas brumas da vida,
Em constante aflição...

Encontrei-me ali...
No meio do negrume.
O teu doce perfume,
Nunca mais o esqueci!

Afastaste-te assim,
A passo lento...
Sem ressentimento,
Para longe de mim.

Uma gota de água
Caiu sobre o meu rosto.
Segui no sentido oposto
De uma antiga mágoa.

E num impulso,
Num instinto de paz,
Olhei para trás
Buscando no avulso...

Por entre a multidão
Encontrei o teu olhar,
O teu sorriso ímpar
E acenaste-me com a mão.

A chuva e o vento
Fizeram-se de novo sentir...
E eu parti a sorrir
Recordando esse momento.

O Destino escreveu direito
Por linhas tortas,
Com tintas mortas,
E ditou... o Acaso Perfeito.

Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Desculpa



Eu não sou perfeita!
Nunca quis magoar...
Não me vou bajular,
Nem me sinto satisfeita.

Posso ter molestado
Os teus sentimentos,
Por breves momentos,
Sem o ter desejado.

Nunca quis ser
O motivo das tuas lágrimas,
Das tuas tristes mágoas,
Do teu desprazer...

Assim é o ser...
Um profundo mistério,
Por vezes etéreo,
Sem eu o querer.

A razão tem razões
Que não entendo,
Nem sequer pretendo!
Não há explicações...

Apenas tenho a dizer
Que lamento sinceramente,
Arrependo-me tremendamente.
Mais nada posso fazer...

É por isso que peço
Desculpa a toda a gente
Que indeliberadamente
Possa ter ofendido.

Fica o meu sentido perdão...
Espero que possas aceitar
O que estou a revelar
Do fundo do coração.

Eu sei que tenho culpa
Do teu orgulho ferido.
Aceita este pedido...
Por favor... Desculpa!

A todos aqueles que, sem intenção, possa ter magoado, ao longo da vida.

Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Navegante



Sou navegante da Lua...
Frágil como as estrelas.
O meu corpo flutua
Ao ritmo da chama das velas.

Sou navegante da Noite...
Constantemente à procura...
Sopro as nuvens suavemente
E espreito pela abertura.

Sou navegante do Vento...
Ternamente me deixo levar.
O meu longo cabelo solto
Reproduz as ondas do mar.

Sou navegante da Chuva...
Desfiguro as fontes puras
Em água triste e turva
Com lágrimas maduras.

Sou navegante do Sol...
Possuo brilho no olhar.
Sinto-me um girassol
Ao perseguir o teu raiar.

Sou navegante da Escuridão...
Tenho tristeza na alma.
Velejo num rio de solidão
Que nunca se acalma.

Sou navegante das Serras...
Subindo e descendo montes
Por encostas sem terras...
Sem caminhos... sem pontes.

Sou navegante dos Prados...
Bordei memórias com linhas
De sentimentos magoados
Por pessoas daninhas.

Sou navegante dos Roseirais...
Tenho espinhos no coração.
Em tempos sofri demais...
Perdi as pétalas de emoção.

Ser navegante do Amor...
É o meu maior desejo...
E com todo o pundonor,
Meigamente, dar-te um beijo.