Sou navegante da Lua...
Frágil como as estrelas.
O meu corpo flutua
Ao ritmo da chama das velas.
Sou navegante da Noite...
Constantemente à procura...
Sopro as nuvens suavemente
E espreito pela abertura.
Sou navegante do Vento...
Ternamente me deixo levar.
O meu longo cabelo solto
Reproduz as ondas do mar.
Sou navegante da Chuva...
Desfiguro as fontes puras
Em água triste e turva
Com lágrimas maduras.
Sou navegante do Sol...
Possuo brilho no olhar.
Sinto-me um girassol
Ao perseguir o teu raiar.
Sou navegante da Escuridão...
Tenho tristeza na alma.
Velejo num rio de solidão
Que nunca se acalma.
Sou navegante das Serras...
Subindo e descendo montes
Por encostas sem terras...
Sem caminhos... sem pontes.
Sou navegante dos Prados...
Bordei memórias com linhas
De sentimentos magoados
Por pessoas daninhas.
Sou navegante dos Roseirais...
Tenho espinhos no coração.
Em tempos sofri demais...
Perdi as pétalas de emoção.
Ser navegante do Amor...
É o meu maior desejo...
E com todo o pundonor,
Meigamente, dar-te um beijo.